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Projeto incomoda livrarias

Na Câmara, proposta tenta impedir pontos de venda de selecionar os títulos que comercializam

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo
Um projeto de lei em trâmite na Câmara dos Deputados propõe que livrarias sejam obrigadas a disponibilizar para venda todo livro apresentado por autores ou editores, partindo do princípio de que tais pontos de venda “não são meras casas comerciais”. Pela proposta, caso não queira comercializar alguma obra, o livreiro terá de expor por escrito as razões ao editor e ao autor, que poderão pedir a interferência da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

O projeto n.º 7913/10 foi apresentado em 17 de novembro pelo ex-deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) como adendo à legislação de 2003 que instituiu a Política Nacional do Livro. Na justificativa, Andrada afirma que a lei n.º 10.753/03, embora tenha a finalidade de “assegurar ao cidadão brasileiro o direito de produção, edição, difusão e comercialização do livro”, “não criou mecanismos práticos” para que os autores consigam a circulação das obras.

A CBL e a Associação Nacional de Livrarias (ANL), que não foram consultadas pelo deputado, só tomaram conhecimento do projeto em dezembro, após ser encaminhado para apreciação da Comissão de Educação e Cultura e da Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania. O assunto ganhou repercussão na rede esta semana, quando Jaime Mendes, gerente comercial da Zahar, abordou-o em seu blog Livros, Livrarias e Livreiros, em post intitulado “Projeto de Lei proíbe livrarias de selecionar os livros que vendem”.

O presidente da ANL, Vitor Tavares, destaca que “não existe livraria no Brasil, nem megastore, que tenha espaço físico para disponibilizar para venda todos os livros produzidos no Brasil” – só em 2009, segundo o balanço anual Produção e Vendas do Setor Editorial, realizado pela Fipe, foram mais de 22 mil lançamentos e 30 mil reedições. “Além disso, cada livraria tem sua peculiaridade. Você não pode impor a uma livraria especializada em livros em francês que comercialize um título que não seja desse nicho”, diz Tavares.

O editor e livreiro Alexandre Martins Fontes, que administra duas lojas do grupo Martins Fontes, destaca que, caso sua equipe de compras (formada por dez pessoas) seja obrigada a justificar por escrito cada recusa de livro, “não terá tempo para fazer absolutamente mais nada”.

“É deprimente que um deputado resolva fazer alguma coisa pensando no mundo dos livros, dos autores, das livrarias, e simplesmente não converse com alguém do mercado. Basta conversar cinco minutos para saber que essa proposta é totalmente inviável”, diz Martins Fontes.

“Na iniciativa privada, cada um compra o que quer. Escolhemos nossos títulos assim como um mercado compra o arroz que quer, o feijão que quer”, argumenta Pedro Herz, proprietário da Livraria Cultura. “Se não posso selecionar o que quero pôr dentro da livraria, então vou cobrar do deputado a construção desse espaço para colocar tudo o que existe, o que deve equivaler a um prédio maior que o da Fundação Biblioteca Nacional.”

Descendente de José Bonifácio, o patriarca da Independência, Bonifácio Andrada foi deputado federal nas últimas oito legislaturas e é membro da Academia Mineira de Letras, com vários livros publicados. Ao Estado, disse que o projeto é uma tentativa de ajudar autores “que não estão protegidos pelos livreiros e pelos distribuidores”. “Fico feliz de colocar o assunto em discussão. O que quero é dar condições ao autor de ter pelo menos o seu livro analisado.” A ANL pretende agora, com o fim do recesso, conversar com o relator do projeto de lei, o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE).

Estadão

Território Inimigo atinge 100.000 leituras

O site TERRITÓRIO INIMIGO, do escritor baiano Goulart Gomes atingiu, neste mês de abril, um total de 100.000 leituras nos 380 textos disponibilizados naquele espaço virtual.

Criado em março de 2007, o site inicialmente destinado à divulgação de obras do autor, passou gradativamente a divulgar também outros textos de escritores das literaturas brasileira e estrangeira.

Mas, a grande atração da homepage tornou-se, mesmo, as diversas listas de referência de livros, filmes, peças de teatro e músicas, elaboradas por Goulart a partir de inúmeras referências bibliográficas e de outras listas famosas.

Segundo ele, “o advento da Internet democratizou o acesso à informação, mas também criou uma Biblioteca de Babel, na qual torna-se difícil, para o novo leitor, distinguir quais as principais obras e autores da cultura mundial. As listas contribuem para um melhor direcionamento nas buscas e nos primeiros contatos com esse universo, a exemplo dos livros das séries 501 e 1001”. Dentre as listas de Goulart, destaca-se a 100 LIVROS RECOMENDADOS, já com 28.000 acessos.

Em TERRITÓRIO INIMIGO – que também é o subtítulo do livro de poesias LinguaJá, lançado por Goulart em 2000 – encontra-se uma vasta amostra de obras do autor, dentre contos, crônicas, poesias e poetrix (linguagem poética criada por ele em 1999, hoje com praticantes em todo o Brasil e no exterior), livros digitais para cópia gratuita, músicas e fotografias.

Vale a pena conferir: www.goulartgomes.com