Treknologia

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Sintetizadores de Alimentos: O fim dos pesadelos domésticos.

Comodoro Marc Seven da FFESP

Desde o tempo em que o homo-sapiens sacou que as plantas ou animais, que se metia a comer, ficavam bem melhor, em termos de gosto ou maciez, quando eram aquecidos, temperados, fervidos ou até mesmo congelados, é que a cozinha humana vem evoluindo em criatividade, tanto nos pratos como nos utensílios para prepará-los.

Dá até pra imaginar os primeiros fogões a lenha, sendo vendidos com o mesmo status de um microondas de hoje.

Mesmo com essa parafernália toda, que se usa hoje em dia, eu observo minha esposa criar verdadeiros milagres em belos e deliciosos pratos, mesmo que a geladeira não esteja em seus dias mais abastados. Ela é realmente uma expert nesse assunto e quem leva vantagem sou eu!

Só que, depois de uma refeição pra lá de boa, ela está cansada e,. como muitas vezes, tem que cumprir um horário tradicional (e bem humano) de almoço, teve de fazer certas coisas às pressas e quando chega a hora de lavar a louça, a cozinha lhe sorri com um ar de calabouço como quem diz:

-Até a hora do jantar você vai ter serviço de sobra!!!

Infelizmente, pra minha querida Inga, o cientista com quem ela se casou não gosta nem de chegar perto dessa "oficina de suporte de vida" e assim seguirmos a triste rotina de um lar de classe média-baixa-baixa-baixa-baixa do inicio do século 21.

Felizmente o mesmo homo-sapiens, que já achou que comida crua era bom negócio, sabe sonhar e criar objetivos com os quais buscar uma vida melhor. Um desses exemplos de rara vida inteligente em nosso planeta é a tecnologia do teletransporte, utilizada para sintetizar alimentos no universo Star Trek.

Imagine que você está no seu apartamento e que nele há uma dessas máquinas incríveis. Você se levanta, aperta uma tecla na moldura do seu quadro de entreterimentos, onde você vê o seu noticiário favorito, que é imediatamente interrompido por uma paisagem e musica relaxante. Aí você chega diante da máquina e diz:

-Lagosta assada, com risoto e vinho rosê.

Em tres segundos um prato com porções bastante equilibradas do que foi pedido e um copo bem cheio de um vinho bem tradicional aparecem numa bandeja sobre o balcão num tremeluzir que logo desaparece. Você pega a bandeja, vai até sua mesa, senta-se come pacas, sem espinhos, insetos, cabelos pra incomodar, uma refeição perfeita:

Depois você se levanta, levando a mesma bandeja e, sem se importar com suas sobras, coloca-a no mesmo balcão de onde a retirou. A bandeja e tudo o que ainda havia sobre ela desaparece do mesmo jeito que apareceu.

Esse é um exemplo bastante comum do que seria o uso de um sintetizador de alimentos padrão, houve um tempo em que só se veria uma seqüência como essa num filme de bruxas ou feiticeiros, acompanhado de um monte de palavras mágicas, ingredientes nojentos etc. Mas, como tudo em Star Trek, vem acompanhado de uma explicação lógica, com o perdão dos leitores vulcanos, essa mágica tem um método de funcionamento bem fácil de explicar. Todo o processo é baseado na tecnologia de teleporte, onde, através da manipulação de campos espaço-gravitacionais-tridimensionais (égua!) um computador pode criar um "holograma" da matéria e "montá-la" a nível molecular, depois de rastrear seus padrões nucleares e assim projetar matéria. Nesse contexto, quando essa tecnologia esbarrou nas pessoas encarregadas dos suprimentos alimentícios de naves de longo alcance, uma revolução na arte culinária humana teve início.

Era muito difícil manter a nave abastecida de viveres para toda a tripulação, qualquer perda de estoque obrigava a nave a interromper sua missão e fazer uma parada num posto da Federação para abastecimento. Sabe-se que casos de canibalismo já haviam acontecido em naves que ficavam a deriva por muito tempo.

Aí chegou o sintetizador de alimentos! Evoluindo do conceito dos antigos resequenciadores de proteinas. Uma máquina que não dá trabalho e que, depois de programada corretamente, pode produzir qualquer prato conhecido, bastando fornecer-lhe os componentes básicos. Dá até pena de certos felizes proprietários de pequenas redes de empórios conhecidos como Carrefour, Extra, Paes e Mendonça etc. quando entenderem o que isso significa.

Se você leu tudo isso, deve estar DOIDO pra entender como exatamente funciona essa delícia, que finalmente daria mais paz pra minha doce Inga e, é lógico, mais tempo pra nós dois.

A coisa toda se divide em tres passos importantes, desde quando se faz o pedido até a hora em que a refeição se materializa.

1- Interpretação do Pedido

O computador entende que você se dirigiu à ele e suas palavras se referem a um ou mais determinados pratos. Então ele faz uma busca em seus bancos de dados para saber se esses pratos estão cadastrados em vários cardápios e línguas conhecidas, haja terabyte!

Caso não encontre, alguns modelos simplesmente não fazem nada, ao passo que outros, mais luxuosos, informam polidamente que seu pedido não está disponível, faz sugestões e até te põe em contato com a manutenção para que você especifique a programação do seu pedido ou receba mais esclarecimentos.

Quando o pedido é entendido e devidamente reconhecido o passo seguinte é a:

2 - Seleção de componentes básicos.

De acordo com aquele menino, o Albert Einstein, a matéria é energia sob certo ponto de vista. Os sintetizadores de matéria poderiam produzir alimentos contando apenas com energia, reorganizando, moléculas a partir de plasma puro, só que isso exigiria MUITA energia, por isso é que se usam componentes básicos, nas mais variadas bases, sendo que a base da alimentação humana é em sua maioria, na forma de carbo-hidratos.

No momento que um prato é identificado nos bancos de memória são lidos arquivos que contém as informações de um "mapa" molecular, para onde o computador deverá direcionar as estruturas atômicas, materializando-as de acordo com esse padrão estabelecido. Simultaneamente, nos containers de componentes básicos, as partes necessárias seriam desmaterializadas, para se tornarem matéria prima. Por exemplo, se o pedido for uma MINGAU DE NESTON o computador imediatamente selecionará as quantidade exatas de hidratos de carbono, proteínas, sais minerais, cálcio, fósforo, vitaminas, ferro, pantotenato de cálcio, bem como o material sintético para prato, bandeja e talheres. (Eu li esses componentes no rótulo do produto).

3 - Materialização do prato em seu destino

Finalmente com padrões moleculares e energia básica disponível, o prato é montado no balcão do console de onde partiu o pedido por meio de projetores de campos que seriam melhor entendidos como "hologramas gravimétrico-materiais", que, inclusive agitam as moléculas durante o processo de materialização para aquecê-la o mais naturalmente possível. Mas isso fica para os séculos que vem.

Depois de muito estudo, começaram a surgir restaurantes especializados em variações alimentares até onde a imaginação podia ir. Os programas mais variados tais como Frango assado com ossos de Mandioca Frita, saladas de brócolis que tem folhinhas de caviar, peito de frango no formato de um pêssego, javali defumado com ossos de queijo provolone, Tortas-de-Algodao-Doce-de-Gelatina e por aí vai.

Quando uma refeição termina as sobras são desmaterializadas e retornam ao seu estado básico. Qualquer elemento que viesse a mais, o que seria nojento paca, seria imediatamente desviado pelos bio-filtros para estudo, no caso de germes ou vírus nocivos a saúde, o computador informaria a ala médica, que chamaria o indivíduo para exames.

Eu fico realmente BESTA quando olho para o meu triste atlhon 1.7Ghz e penso na rapidez com que o computador da minha querida USS-Urânide, uma nave estelar da classe Prometheus, realiza essas tarefas todas em 2 a 3 segundos por pedido! UAU!

Isso se deve ao fato dos seus processadores-holográficos funcionarem sob campos de Dobra...

Mas isso é outro papo...

Vida Longa e Próspera, Se Deus Quiser.

Comodoro Marc Seven

Membro do Conselho Diretor da SPSF

Comandante da Divisão Academia da FFESP

Embaixador da FFESP na SL StarFleet

Capitão da USS-Urânide

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